Controle de Estoque

Método para controle de estoque: Custo Médio

Precisa aprender uma forma de controlar seu estoque para sempre ter um bom retorno em suas vendas? O custo médio pode ser uma boa alternativa para sua empresa.

14 DE junho DE 2023 - Atualizado 1 mês atrás 16 min de leitura

Você já calculou o custo médio dos itens do seu estoque? 

Sabemos que um bom controle de estoque é fundamental para um empreendimento de sucesso. Mas, se você ainda não encontrou a melhor forma de lidar com o seu estoque, não precisa se preocupar. Existe um método de controle de estoque simples e muito eficiente para ajudar nessa missão: o custo médio.

O custo médio de estoque é um dos métodos mais utilizados hoje em dia. Não somente por ser fácil de ser calculado, mas porque se encaixa perfeitamente nas exigências presentes na legislação do imposto de renda. Ótimo, não acha?

Outra vantagem de usar o método de custo médio do produto é que ele permite analisar a flutuação de preços e equilibrar os valores para evitar perdas no faturamento e outros prejuízos. 

Neste artigo, apresentaremos todos os detalhes que você precisa saber para aplicar o método mais utilizado para controle de estoque em micro e pequenas empresas.

Resumindo: para calcular o custo médio de estoque, some o custo total das compras e divida pelo número total de unidades. É esse custo, e não o da última compra, que deve basear sua margem e sua precificação.

A importância do controle de estoque

Vamos começar pelo básico: não importa o tipo de produto fabricado ou dos serviços prestados. Os gastos com a matéria-prima, equipamentos e funcionários influenciam nos custos totais do seu negócio. Para trabalhar com a balança sempre positiva, a melhor alternativa para as empresas é utilizar um método de produção eficiente, que possibilita aumentar a produção com um custo mínimo.

Dentro do controle gerencial, os métodos de controle de estoque são essenciais para que tudo saia como planejado. Afinal, é a partir deles que você poderá calcular o preço a ser aplicado nos produtos que possui armazenado e encontrar um equilíbrio entre o lucro final e o prazo para vendas. Ou seja, o objetivo é sempre otimizar as vendas e o giro de estoque, além de reduzir desperdícios ou perdas.

Lembre-se que:

  • Se o preço de venda for baixo demais, pode não cobrir os custos de produção.
  • Se o preço for muito alto, o produto pode ficar encalhado.

Desenvolver um gerenciamento de estoque eficiente significa otimizar o planejamento de sua empresa para que o fluxo de materiais e produtos seja contínuo e não ocorram imprevistos. 

O que é custo médio?

Como explicamos acima, o custo médio é um dos métodos de controle de estoque mais utilizados, além de ser um dos mais indicados.

O custo médio ponderado também conhecido como preço médio ponderado. Este sistema é famoso por ser simples de ser calculado e representa o valor a ser contabilizado pela média dos gastos com a aquisição de cada produto.

Realizar esse cálculo é fundamental, uma vez que todo comércio precisa de um planejamento eficaz para manter suas contas em dia. Mas é preciso ficar atento, muitos empreendedores com a prática do dia a dia, acabam realizando todos esses cálculos apenas de cabeça e sem nenhum controle mais elaborado. Como consequência, com o aumento dos preços para aquisição de novos itens, a conta se torna mais complexa e muitas lojas acabam enfrentando problemas por ignorá-los.

Ou seja, desconsiderar um aumento recente, pode gerar um preço mais baixo do que o necessário para manter as contas da empresa em dia. Pode acontecer também de o produto sofrer um aumento expressivo e ainda ter muitos itens dele no estoque, neste exemplo, se as vendas diminuírem, o prejuízo da loja poderá ser ainda maior. 

Por este motivo, é fundamental utilizar o cálculo de custo médio para equilibrar o valor de venda e, consequentemente, o lucro final de seu negócio.

Como calcular o custo médio?

Existem muitos fatores que influenciam no preço final de um produto, como por exemplo a inflação, o custo de transporte e o preço médio de mercado. Inclusive, é importante você ter esse último item como referência constante, para que o valor das suas mercadorias não ultrapasse muito o definido pelos seus concorrentes. Tendo em mente as informações, podemos partir para o cálculo. 

Muitos lojistas acabam pulando essa etapa por acharem muito complicada, mas fique tranquilo, é muito mais simples do que parece. Confira um exemplo prático que criamos para ajudar você:

Imagine que você produz o PRODUTO A e que no início do mês de janeiro você consiga produzir um lote de 100 unidades dele ao custo de R$500,00. Ao final do mês, você precisa produzir um novo lote do PRODUTO A, desta vez você produziu 200 unidades pelo valor de R$1150,00.

Produto A

Lote 01: 100 un – R$500,00

Lote 02: 200un – R$1150,00 

O próximo passo é descobrir o custo total para produzir o PRODUTO A: R$500,00 + R$1.150,00 = R$1.650,00

Para saber qual é o custo médio do PRODUTO A, basta dividir esse custo total (R$1.650,00) pelo número de unidades produzidas: 100 + 200 = 300 unidades

Custo médio:  R$1.650,00 / 300 = R$5,50

Fácil, né? Normalmente, divide-se o custo médio em ponderado fixo e ponderado móvel. Para que você diferencie esses conceitos de forma clara, explicaremos cada um de forma detalhada.

Custo médio ponderado fixo

O custo médio ponderado fixo é a média dos custos de materiais disponíveis para venda ou uso durante um único momento, que pode ser no final do mês ou do ano. 

Quanto maior for a sua produção, menor é o custo médio ponderado fixo.

Para chegar no valor correto, é necessário dividir o custo total dos materiais disponíveis para consumo ou produção pela quantidade equivalente desses mesmos materiais. 

Lembre-se: o custo total é a soma do custo das compras líquidas realizadas durante o período selecionado com o custo do estoque inicial.

Atente-se: por ser uma apuração que acontece apenas no final de um longo período (mês, semestre, ano), o custo médio ponderado fixo só deve ser adotado por empresas que utilizam o sistema de inventário periódico.

 

Custo médio ponderado móvel

Embora possa ser considerado por muitos empresários como um método trabalhoso, o custo médio ponderado móvel é a forma que melhor reflete as informações dos estoques remanescentes e custos de produção por período. Além disso, ele também é o mais aceito do ponto de vista fiscal brasileiro.

Sua principal característica é que o estoque final e o custo de mercadorias (vendidas ou requisitadas) para uso na produção são válidos considerando-se o preço de custo.

Como o próprio nome indica, ele representa as despesas que variam de acordo com a produção. Ao utilizar esse método de avaliação, você perceberá que o valor de cada unidade de produto em seu estoque será alterado com a compra ou a produção de outras unidades de preço diferente. Ou seja, quando a produção aumentar o valor será maior e quando a produção diminuir o valor também diminuirá.

Fique atento: se o sistema de controle de estoque adotado pela sua empresa  for o inventário permanente, você deve utilizar o custo médio ponderado móvel, pois o seu estoque é constantemente atualizado em sua contabilidade.

Exemplo completo com ficha de estoque: recálculo do custo médio a cada compra

Retomando o exemplo do PRODUTO A: no método ponderado móvel, o custo médio é recalculado a cada nova entrada de mercadoria. Veja como ele evolui lote a lote:

MovimentoQuantidadeValor totalEstoque acumuladoCusto médio recalculado
Lote 01 (compra)100 unR$ 500,00100 unR$ 5,00
Lote 02 (compra)200 unR$ 1.150,00300 unR$ 5,50

Note que, após o Lote 01, o custo médio era de R$ 5,00 (R$500,00 ÷ 100 unidades). Quando o Lote 02 entra com um custo unitário diferente, o sistema recalcula o custo médio de todo o estoque acumulado, chegando a R$ 5,50. É esse recálculo automático, feito a cada nota de entrada, que caracteriza o custo médio ponderado móvel.

Custo médio e precificação: como usar o valor para definir o preço de venda e a margem

É o custo médio, e não o valor da última compra, que deve basear sua margem e sua precificação. Se você repõe um produto 15% mais caro e mantém o preço antigo, sua margem encolhe silenciosamente; se precifica pelo último custo, pode cobrar caro demais em itens comprados antes do reajuste e perder venda. Com o custo médio atualizado a cada entrada, você sabe a margem real de cada item e reajusta preços com critério. Para lojas com centenas de SKUs, é a única forma viável de manter a precificação saudável.

Como o custo médio é atualizado automaticamente em um sistema de gestão

Sistemas de gestão com controle de estoque calculam o custo médio ponderado móvel automaticamente a cada nota de entrada, recalculando o valor no mesmo instante em que uma nova compra é lançada. Já em uma planilha manual, esse recálculo depende de alguém lembrar de atualizar a fórmula toda vez que chega uma mercadoria com preço diferente. Com reposições a preços diferentes, o cálculo mental ou manual sempre acaba errando — e para lojas com centenas de SKUs, isso se torna inviável de sustentar.

Métodos de avaliação de estoque

Após conhecer um pouco melhor sobre o custo médio, é necessário escolher ométodo de avaliação que auxiliará você na definição de parâmetros para análise durante o cálculo.

Dois destes métodos são PEPS e UEPS, ferramentas simples de serem aplicadas.

PEPS: o método “Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair” utiliza o valor do lote mais antigo do estoque para cálculo. Assim, conforme os itens forem saindo, passa-se para o lote mais antigo entre os restantes.

UEPS: o método “Último a Entrar, Primeiro a Sair” funciona ao contrário do anterior. Desta forma, ele mantém a ordem de saída dos produtos, porém, para cálculo considera o valor dos produtos adquiridos mais recentemente. É uma forma eficaz de compensar possíveis aumentos nos custos dos produtos adquiridos.

Apesar de ser um desafio, o controle de estoque é um dos principais fatores para o sucesso na otimização dos processos de sua loja. Um estoque bem gerenciado garante que você tenha a mercadoria certa na hora certa, facilitando o giro de capital. Afinal, é este controle que irá evitar que seu dinheiro fique parado em forma de mercadoria.

Entenda que, como todos os setores de uma empresa estão interligados, um bom desempenho no gerenciamento de estoque se reflete positivamente nas demais áreas da sua loja.

Esperamos que o artigo tenha esclarecido todas suas dúvidas sobre a metodologia. Agora você pode fazer a escolha certa para seu estoque. Se ainda houver alguma incerteza sobre qual o método a ser adotado para sua empresa, é importante realizar testes para poder descobrir a melhor forma de administrar para lucrar e evitar prejuízos.

Tabela comparativa: Custo Médio x PEPS x UEPS

CritérioCusto MédioPEPSUEPS
Como funcionaPondera todas as compras e gera um valor único por itemBaixa o estoque pelo custo dos lotes mais antigosUsa o custo das compras mais recentes
Indicado paraUso geral — o método mais usado no BrasilProdutos perecíveis
Aceito pela Receita Federal?Sim, previsto no Regulamento do Imposto de RendaSimNão — vedado para fins fiscais (RIR/2018)

O UEPS não é aceito pela legislação fiscal brasileira porque, em cenário de inflação, infla o custo e diminui a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na prática, empresas brasileiras usam custo médio ou PEPS.

Perguntas frequentes sobre custo médio de estoque

Como calcular o custo médio de estoque?

Some o valor total gasto na aquisição do produto e divida pela quantidade total de unidades. Exemplo: comprou 100 unidades por R$ 500 e depois mais 200 por R$ 1.150 — o custo total é R$ 1.650 para 300 unidades, logo o custo médio é R$ 5,50 por unidade. No método ponderado móvel, esse valor é recalculado a cada nova entrada com preço diferente. É esse custo, e não o da última compra, que deve basear sua margem e sua precificação.

Qual a diferença entre custo médio, PEPS e UEPS?

São três métodos de avaliação de estoque. O custo médio pondera todas as compras e gera um valor único por item. O PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) baixa o estoque pelo custo dos lotes mais antigos — indicado para perecíveis. O UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai) usa o custo das compras mais recentes, mas não é aceito pela legislação fiscal brasileira (RIR/2018), pois reduz artificialmente o lucro tributável. Na prática, empresas brasileiras usam custo médio ou PEPS.

A Receita Federal aceita o custo médio de estoque?

Sim — o custo médio ponderado é o método mais aceito e o mais usado no Brasil, previsto no Regulamento do Imposto de Renda. O PEPS também é permitido. Já o UEPS é vedado para fins fiscais, porque em cenário de inflação infla o custo e diminui a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Empresas do Lucro Real com inventário permanente devem manter o custo médio ponderado móvel registrado contabilmente. Em caso de dúvida, valide o critério com seu contador.

Qual a diferença entre custo médio ponderado fixo e móvel?

O móvel recalcula o custo a cada entrada de mercadoria: comprou um lote mais caro hoje, o custo médio de todo o estoque sobe imediatamente — é o modelo exigido para inventário permanente e o que melhor reflete a realidade em época de reajustes frequentes. O fixo é apurado uma única vez ao final do período (mês ou ano). Sistemas de gestão com controle de estoque calculam o ponderado móvel automaticamente a cada nota de entrada.

Por que usar o custo médio em vez de calcular o preço “de cabeça”?

Porque com reposições a preços diferentes, o cálculo mental sempre erra — e o erro sai caro. Se você repõe um produto 15% mais caro e mantém o preço antigo, sua margem encolhe silenciosamente; se precifica pelo último custo, pode cobrar caro demais em itens comprados antes do reajuste e perder venda. Com o custo médio atualizado a cada entrada no sistema, você sabe a margem real de cada item e reajusta preços com critério. Para lojas com centenas de SKUs, é a única forma viável de manter a precificação saudável.

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